terça-feira, 27 de maio de 2008

O moralista

A maioria das pessoas é moralista em relação a algum assunto.

Eu estou começando a desenvolver um certo preconceito ou apenas conceito, em relação as “raves” que acontecem aqui no estado.

Recomendo quem gosta muito de rave, só ler a partir do parágrafo com ASTERISCO*.

Um dos fatores que ajudam a essa mudança de opinião é que no início, eram bem mais divertidas, muito mais loucas, mais acessíveis na distância e nos preços.

Não sei se era apenas uma invenção minha, querendo que a festa fosse daquele jeito, mas eu via uma festa realmente despreocupada com mundo e com o outro. Uma despreocupação positiva, era uma ausência de preconceitos comemorando de forma inclassificável a liberdade. Era, a meu ver, a manifestação mais pós-moderna que eu via. Pois não havia locais óbvios para acontecer, maneiras de dançar, não existia roupa exata para se vestir e muito menos, métodos para conseguir se enxergar livre.

Um ótimo exemplo de local é a piscina vazia do Saldanha da Gama. Local bonito, exótico, acessível e longe de muitas residências, eu acho.

Hoje as raves, sinceramente, estão um saco!

Todos acontecem em lugares distantes, que só se chega de carro e são sempre os mesmos lugares. Pedreira, Yahoo e Chácara alguma coisa. Cadê a criatividade? Ou será que a intenção é excluir errados e incluir certos?

O preço exorbitante ajuda na argumentação dessa tese. Acho que o povo esqueceu que os churrascos, com tudo liberado, na casa do amigo, só custa 10 ou 15 reais.

Existe a roupa exata de se vestir, (me corrija se eu já estiver desatualizado da última moda) como bermuda de surfista, blusa branca, tatuagens, havaianas, óculos da Chilli-beans e um “pompom” rodopiante, para ficar rodando ou mesmo, saber soltar chamas da boca. (Em breve terá trapézios e o globo da morte)

Palhaçada é o que eles vão chamar esse texto tão partidário. (Num to nem aí)

Existe também uma dança. Gente, o que é aquela dança? Todos exatamente iguais. Por alguns instantes as raves lembram muito musicais da Broadway. Ou seriam micaretas e suas coreografias divertidíssimas?

Não sou contra ter essa dancinha, mas acho um pouco estranho a liberdade estar relacionada a padrões. Eu preferia dançar malucamente, sem medo de rirem de mim.

Olha que eu nem comentei nos cortes de cabelo, que maravilha. Do vocabulário! Não suporto esse vocabulário, que parece mais um fã de reggae que acabou de chegar de um intercâmbio na casa de algum americano astrólogo. Nem irei comentar sobre a qualidade das músicas, até porquê, não existe métodos para se obter essa qualificação.

*Agora vou comentar sobre a questão mais polêmica. (Nem sei se fiz bem, mandando os vibes diretamente para esse parágrafo).

Não sou contra usar drogas, licitas ou não. Acredito que uma grande parcela da população também pensa assim.

Más, porém, contudo, as drogas ilícitas, como o próprio nome já diz, são proibidas!

Não sou eu, você ou um pequeno grupo de sei lá, oitocentas mil pessoas, que vai mudar isso.

O Brasil, lembrando, tem 180 milhões de pessoas e é um país teoricamente democrático.

E lembrando, democracia acontece a favor da maioria.

Aposto que tem alguém pensando “mas são muito mais de oitocentas mil pessoas que vão a raves”. Ok, que seja. Mas não sei se são todos a favor da liberação e nem sei seriam, ainda assim, a maioria em relação a uma nação teoricamente religiosa e tudo mais.

Hipocrisia não é isso, hipocrisia é dizer que rave não cultua drogas ilícitas. É óbvio que cultua, incentiva e é responsável por essa ploriferação e normatização do uso abusivo das balas, doces e sei lá mais o que.

Como posso afirmar isso?

O direito de me expressar já é meu a alguns anos.

Eu sei que há muita droga porque eu já fui em muitas raves. É simples. Não tem o que discutir. Todo mundo que vai em qualquer rave, sabe que o nível de utilização de drogas nestes ambientes é muito, mas muito superior aos de boates, churrascos, shows, praias, aniversários de 15 anos, formaturas e casamentos. Todo mundo sabe que nestes lugares, o que reina é a cerveja.

Não que a cerveja faça bem a saúde e que ela não causa acidentes. Mas isso é uma civilização e não uma tribo indígena.

A rave parece muito com uma tribo indígena né?!

Só agora que percebi isso. Prezam pelo natural, acreditam na força da natureza, tem um dialeto próprio, musicas bem estacadas, usam drogas sem medo, e fazem protestos na Assembléia, porque forças maiores querem tomar seus terrenos.

Nesta segunda, dia 26 de maio, aconteceu uma manifestação em frente a Assembléia.

Eles estavam a favor das raves, que estão prestes a serem proibidas, por uma lei do deputado Reginaldo Almeida. O Protesto era contra a proibição e não a favor das raves, corrijo.

Sei lá, eu fiz que nem o jornalismo faz, quando já tem uma opinião formada sobre um assunto. NEM QUIS SABER, já fui fotografando e escrevendo!

Achei bacana, a cidade parecia diferente com aquela musica alta, naquele horário. (15 horas)

É engraçado ver as pessoas lutando por causas assim.

Tão injustas.

Mas sério, proibição é demais. Ou não?

Sei lá.

Acho que deviam fiscalizar as pessoas que entram e todo mundo voltar a beber cerveja.

Pois só eu bebendo cerveja, só eu que ficarei gordim eternamente.

Além do mais, quando vou em raves, danço até o meio-dia, só no álcool!

E sei lá, usar drogas sem lutar contra um regime político, não tem graça.

Desculpa as brincadeiras.

Beijo do gordo!

4 comentários:

juliapedreira disse...

sempre quis ir numa rave...mas nunca fui, não posso dizer!

WP disse...

Gostei muito da crítica.

Saudades.

Walter Pena

Maria Regina disse...

O comentário comparando com as tribos indígenas foi genial, Markinhos, ri muito...

Mas, pra mim qualquer pessoa, qualquer regime, qualquer coisa, que proiba alguma coisa já perdeu a razão...

O maior consumo de drogas em raves é de drogas sinteticas sim, mas principalmente "drogas de farmácia", pq eu vejo na prática que é só ter uma festa marcada, que na sexta-feira vende mais de certos medicamentos do q no mês inteiro... e vai fazer o q? proibir e deixar todo mundo q precisa de verdade morrer? não adianta nada tomar essas medidas paliativas quando o problema é bem maior...

E há uma solução simples pro problema do uso de drogas ilícitas ou licitas: libera tudo que a natureza faz sua seleção natural, deixa que a galera se mata sozinha...

Grazielly disse...

Nossa, concordei com tudo que vc disse Nunca fui a raves, mas sei de tudo o que acontece pelo o que as pessoas me contam. Acho mesmo que pra aguentar até o meio dia só bebendo e não usar nenhum energético, eu não aguentaria, portanto, não quero nem gosto de drogas, por isso nunca fui. E sinceramente, dia de semana a tarde reinvindicar pra voltar as raves, só pra quem não faz nada mesmo! Podiam investir mais em boates aqui em Vitória do que nestas festas de drogados!!