sábado, 24 de janeiro de 2009

Mágoas

Não há explicação para o choro
Tê-lo é a exclusão do excesso
Mas não é exagero
Exagero seria guardá-lo
Acumulo de mágoas
Águas que querem desaparecer
Tem hora que gente quer ter uma idéia genial
Resolver tudo num piscar de olhos
Numa promessa
Numa meta
Numa droga
Mas que merda é essa música!
Não consigo conceber a finalidade dessa novela!
Quem te disse que preciso de conselhos?
Não dá! Essa roupa. Essa calça. Esta calça não dá!
Tenho que emagrecer
Vou dar um jeito nesse cabelo
Argh! Mas que nojo esse perfume
Tira isso!
Impregnou a casa inteira
Essa casa cor de gelo sujo
Vou fazer um quadro
Tinta guache mesmo
Tudo verde e roxo
Cadê minha agenda, heim?
Não quero trabalhar hoje
A, B, C, Dário!
Alou, Dário? Vamos sair?
Vida chata essa de quem fica em casa
Mas antes vou cozinhar um macarrão
Colocar molho de tomate e sal
Sem manjericão
Ele não gosta do manjericão
O... Dário! Ele não gosta de manjericão
Cansei de ficar na janela
Acho que vou sair sozinha
E se eu sair
Ah, se sair...
Para trás eu não olho
A não ser que...
O Dário me grite!
Quero sentar no balcão
Mesa é para frouxos
Até porque, só quero papo com o garçom
Assim ele capricha mais na vodca
Vou acabar dançado no meio do bar
Já to até vendo
Eu, o garçom, o Pedro e a...
Será que a chata vai?
To doida pra ignorar alguém
Quer saber?
Não vou mais
Continuarei lendo
Só faltam 7 páginas
E quando acabar...
Ah... quando acabar
Quando acabar...
Ele vai pra estante
E eu vou pra internet
Odeio mensagem pronta
Apagarei tudo, todas, todos!
Adoro!
Já me sinto mais produtiva
Vou pesquisar sobre Janis Joplin
Quero escrever um artigo sobre resquícios da música de Janis na música de Cazuza.
Se for preciso, uso até drogas
Bebo, fico nua, transo com todo mundo, engravido
Engravido...
Mas que drama é esse que meus olhos insistem em fazer?
Isso deve ser até crime
Gastar esse mundo de água
Por ele
Logo ele
Que desistiu
Que não soube lidar com a situação
Que não soube ceder
Que não quer me ver por uma semana
Que ta, sabe lá Deus, aonde
Que vai beijar na primeira oportunidade a primeira piranha que aparecer
Pra mim isso é traição
Pior
Além de me trair, me larga
Não dá nem para revidar
Ah, que ódio!
Quero esquecer isso
Dizem que só o tempo ajuda
Pra mim ele só atrapalha
Acho ele lerdo
Linear demais
Acho que vou nadar
Sem rumo, sem linha, sem bóia
Nada melhor que nadar para nada, para o nada
Na água eu posso até chorar
Mas na água, no mar, meu choro, não é nada
Lá é preferível nadar
E é bem isso que eu vou fazer agora
Mas pode ter certeza de uma coisa
Eu sei voltar

5 comentários:

Pris disse...

"deixe em paz meu coração, ele é um pote assim de mágoas..."

lindo poema, daqueles que não há como ler sem chorar, chorar mais, chorar um mar; mas no mar, as minhas lágrimas...

Pedro disse...

Pra que voltar se o caminho é outro?

Hóspede Póstumo disse...

"Pior mágoa é aquela culposa
Cujas lágrimas não têm um alvo
Para justificar o sentimento amargo
Nem a quem imputar o nó no coração

Basta restar ali, sozinho
Sentindo o cheiro da sombra
Regurgitando o vazio da confiança
No sólido amadurecimento inevitável"
Luiz Eduardo Bimbatti - Genova/GE - Italia - Outubro 2005


BOA SEMANA PRA VC!

Almy disse...

é seu?bacana o texto!

Camila dos Reis disse...

Caralho!!!
Mto lindo msm... me indentifiquei bastante.
Parabéns! mto talentoso.